<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-17321430</id><updated>2011-04-21T11:26:12.174-07:00</updated><title type='text'>cartas para plutão</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>14</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17321430.post-116364085816529574</id><published>2006-11-15T17:23:00.000-08:00</published><updated>2006-11-15T17:34:18.176-08:00</updated><title type='text'>para dar a luz</title><content type='html'>Prezada C.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje eu imaginei minha vida sem você. Sem suas desculpas esfarrapadas para não me ver, sem suas negações aos meus pedidos, sem suas bebedeiras sem amor. Imaginei como seria se você simplesmente não tivesse sido minha. O que mesmo? Às vezes esqueço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De você não, claro. Lembro todo dia. Ou pelo menos toda vez que olho minha identidade. Seu nome está ali, na minha filiação. Engraçado, eu não estou na sua. Não houve reciprocidade nunca. Não seria nisso. A identidade dos genitores deveria sim conter o nome dos filhos. É mais fácil esquecer de alguém que você gerou do que de alguém que gerou você. Acho que você esqueceu de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior é imaginar que não. Todo maio eu tento me convencer que sim. Que você esqueceu de mim, que não pensa mais, que não lembra mesmo. De mim. Do que eu fiz pra te conquistar. Do meu amor mal desperdiçado. Dos meus sorrisos forçados em hospitais. Foram tantos. Hospitais. Não sorrisos. Dos meus esforços. Quero acreditar nisso. Que você esqueceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dói tanto quando a lucidez desperta aqui. Quando eu percebo que você não esqueceu. Que você simplesmente decidiu não ficar perto de mim. Que você lembra de mim e de tudo o que vem junto comigo na sua lembrança e que opta pela distância, pelo afastamento eterno. Que você sabe que eu tentei, que eu quis ficar perto mais do que qualquer coisa. E que você disse não, conscientemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem lembrei de que um dia desses você vai morrer. E talvez eu não fique sabendo. Talvez seus amigos te enterrem. Teu marido. O porteiro do prédio. Alguém, quem sabe. Alguém que não serei eu. Talvez eu nem fique sabendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não te enterrarei. Nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem dentro, nem fora de mim. Porque eu não quero esquecer. Quero lembra pra sempre. Quero, um dia, fazer as coisas do avesso. Porque o teu lado certo não é esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;H.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17321430-116364085816529574?l=cartasparaplutao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/feeds/116364085816529574/comments/default' title='Kommentare zum Post'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17321430&amp;postID=116364085816529574' title='0 Kommentare'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/116364085816529574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/116364085816529574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/2006/11/para-dar-luz.html' title='para dar a luz'/><author><name>fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17321430.post-116293534293241461</id><published>2006-11-07T13:30:00.000-08:00</published><updated>2006-11-07T13:35:43.010-08:00</updated><title type='text'>para me justificar</title><content type='html'>Hoje eu acordei e pensei em tudo que eu já vivi do seu lado. Das milhares de coisas que já fizemos juntos, do amor que você me deu, dos olhares bondosos, da sua mão segurando na minha antes do primeiro dia de aula. Do ônibus escolar e você do meu lado. De todas as coisas importantes da minha vida e você do meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu acordei e você não tava do meu lado. Não estava nem dentro da mesma casa. Há muito já que você foi embora, não dividimos mais o mesmo quarto, a mesma geladeira, nem mesmo os mesmos pais. Eles morreram e você não me liga mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu acordei e lembrei da sua carta na quarta passada. Uma carta. Pensei que não chegaríamos nesse ponto. Moramos por anos em cidades diferentes e você sempre me ligou pra saber como eu estava. Saber se eu estava feliz, cansado, se eu precisava de ajuda. Uma carta. Com palavras esquisitas, de rancor e de desculpas, de raiva e de saudade. Talvez até tenha algum amor escondido ali, disfarçado de. Alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu acordei e entendi que não sou capaz de respondê-la como você queria. Você só receberá essa. Que é uma carta de desculpas. Por ter insistido ficar na tua vida. E por, agora, não poder mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado por ter sido meu irmão.&lt;br /&gt;T.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17321430-116293534293241461?l=cartasparaplutao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/feeds/116293534293241461/comments/default' title='Kommentare zum Post'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17321430&amp;postID=116293534293241461' title='0 Kommentare'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/116293534293241461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/116293534293241461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/2006/11/para-me-justificar.html' title='para me justificar'/><author><name>fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17321430.post-115725852944274903</id><published>2006-09-02T21:14:00.000-07:00</published><updated>2006-09-02T21:42:11.500-07:00</updated><title type='text'>para derrubar as grades</title><content type='html'>Querida D.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passei uns meses pensando o que te escrever. Eu fico me sentindo tão incapaz. Levando a minha vida aqui de longe, pensando em você todos os dias e não fazendo nada além disso. Hoje, por exemplo, eu estou te escrevendo essa carta. Ontem eu liguei praí, perguntei se você estava bem, me contaram que você tem gostado à beça dos dias de sol. Fiquei feliz. Agora eu gosto deles também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não te escrevi nesses últimos meses porque. Não tem razão. Fiquei com medo, acho. Não recebi resposta da outra carta, mas eu liguei também pra saber e a Angélica disse que você leu e guardou a carta. Espero que você faça o mesmo com essa. Pode jogá-la fora, mas leia, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não vou aí porque eu sei que eu vou chorar, D. Eu não quero chorar na sua frente. A gente combinou que eu não ia fazer isso. Ou pelo menos eu te prometi no dia que eu te deixei aí e, desde então, eu tenho chorado todos os dias da minha vida. Há três anos já. Eu choro porque eu não queria ter me separado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que eu sou meio gigante. Ou então eu cresci demais de uma hora pra outra, sabe. Acho que sim. Hoje eu vi a foto da mulher mais alta do mundo. Ela tem dois metros e trinta e oito. Mora na China, se chama Yao Defan. Na foto que eu vi, ela usava blusa e calça vermelhas. E os cabelos presos. Seu sorriso era um pouco incerto. Alguém estava doando um sapato para a Yao. Eles eram do tipo de sapato chinês, pretos. As meias dela também era vermelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me sinto um pouco como a Yao. Tenho só um metro e setenta, eu sei, mas, depois que eu te deixei aí, a minha convivência com o mundo ficou impossível. Eu vou para aquele trabalho todo dia porque eu preciso te manter aí e porque, se eu ficasse em casa, eu iria. Ah deixa pra lá.  Então eu vou pra lá, mas ninguém sabe nada de mim além do meu nome e dos meus prováveis peso e altura. Eu não consigo mais conviver com ninguém, D., as pessoas me doem o tempo todo, estão sempre tão distantes. Lá depois daonde ninguém vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um pouco gigante e não tem ninguém mais que me alcance, sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez você tenha se lembrado do gigante do país nórdico (daquele que eu te contei na outra carta). Pois é, tem ele. Mas ele mora longe da Yao. E se ele não gostar do perfume dela? Não te parece triste que os dois tenham que aceitar um ao outro pelo simples motivo de que eles são gigantes e não existe mais ninguém no mundo como eles? Além do que, ela pode não querer um namorado agora - e se ela só quisesse ficar eventualmente com alguém e levar a vida assim. Que vida, aliás? Será que ela trabalha? E se ele não conseguisse conquistá-la?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles são os únicos um para o outro, D.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpa eu não ser um bom par para você. Eu sei que nós somos as únicas uma para a outra e que eu não estou sendo uma boa companheira. Me perdoa. Eu decidi te entregar essa carta ao vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até lá,&lt;br /&gt;com muito amor (de gigante),&lt;br /&gt;T.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17321430-115725852944274903?l=cartasparaplutao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/feeds/115725852944274903/comments/default' title='Kommentare zum Post'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17321430&amp;postID=115725852944274903' title='0 Kommentare'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/115725852944274903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/115725852944274903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/2006/09/para-derrubar-as-grades.html' title='para derrubar as grades'/><author><name>fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17321430.post-115479745625235598</id><published>2006-08-05T09:49:00.000-07:00</published><updated>2006-08-05T20:13:39.560-07:00</updated><title type='text'>para um querido</title><content type='html'>Querido querido,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu sei que é difícil aceitar o preconceito das pessoas. Que é difícil não poder beijar o seu amado na rua. Nem andar de mãos dadas. Nem fazer um carinho no rosto que já vão falar. Já vão falar que você é louco, pervertido, tarado, pecador, infeliz, extraterreste, viado. Eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu também queria (eu preciso, na verdade) te dizer que isso não é a única coisa ruim do mundo. Sabe aquela velha máxima das crianças morrendo por inanição na África? Pois é, menino. Elas existem. Não fique tão chocado. Elas morrem assim. Elas ficam loucas antes de morrer de tanta falta de comida. E morrem. E você não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem ainda os palestinos. Sabe quem são? Aqueles moços, coitados, que moram lá longe, perto de Israel. Israel você sabe onde é porque você já namorou um menino judeu que eu lembro. Pois bem. Eles moram perto de Israel, porque criaram esse país e agora eles não têm mais onde ficar. Acampamentos. Eles moram em barracas. Sem esgoto. Sem nada. E, ainda por cima, são bombardeados vez ou outra. Morrem crianças. De novo. E você não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem ainda o sofrimento das mulheres. Você liga pra elas? Às vezes acho que só o que é masculino te interessa. Mas tem. Tem as africanas, que são muitas vezes apedrejadas até a morte por uma traiçãozinha à toa (dessas que você já fez tantas vezes). As muçulmanas, que dificilmente são felizes. Burcas. Sabe o que é? Então. O dia inteiro. A vida inteira. Ali debaixo. Vendo o mundo por uma frestinha menor do que cinco centímetros. E você não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você tem o mundo inteiro pra você ver. A sua moda. Os seus namorados. Os seus amores. A sua vida toda. Eu sei. Não é fácil agüentar o ódio dos outros. O medo que eles sentem de ser igual a você. O pavor de também ser homossexual. A homofobia dos mais conservadores. Os skins heads. Não estou dizendo que é fácil. Mesmo sem saber exatamente como é, eu imagino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só que, talvez, se você percebesse o sofrimento alheio - o TAMANHO do sofrimento alheio - você poderia se sentir mais confortável. Saber que não é o único que sofre. e, além disso, que não é o que mais sofre. Pelo contrário: a sua dor é contornável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;F.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17321430-115479745625235598?l=cartasparaplutao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/feeds/115479745625235598/comments/default' title='Kommentare zum Post'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17321430&amp;postID=115479745625235598' title='0 Kommentare'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/115479745625235598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/115479745625235598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/2006/08/para-um-querido.html' title='para um querido'/><author><name>fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17321430.post-113851744834848525</id><published>2006-01-28T22:47:00.000-08:00</published><updated>2006-01-28T22:50:48.370-08:00</updated><title type='text'>pra dizer oi</title><content type='html'>Querido,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;outro dia vi uma foto sua e lembrei do sorriso e lembrei como era confortável gostar de você. Mesmo você longe, mesmo sendo tudo longe, mesmo nunca podido ter concretizado. Era bom gostar de você, ver o seu sorriso, me deixava feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada por ter me dado isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que sempre silenciosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um tipo de amor sem fim,&lt;br /&gt;sua primeira fã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17321430-113851744834848525?l=cartasparaplutao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/feeds/113851744834848525/comments/default' title='Kommentare zum Post'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17321430&amp;postID=113851744834848525' title='0 Kommentare'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/113851744834848525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/113851744834848525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/2006/01/pra-dizer-oi.html' title='pra dizer oi'/><author><name>fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17321430.post-113790987744796116</id><published>2006-01-21T21:57:00.000-08:00</published><updated>2006-01-21T22:04:37.446-08:00</updated><title type='text'>para chegar mais perto</title><content type='html'>Querido,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tem alguém ouvindo Chico lá fora. Não sei por quê, senti vontade de dizer isso pra você. Senti vontade de dizer que gostei de ficar perto hoje, que foi importante pra mim. Foi importante te ver como um ser humano qualquer, foi até bom te ver sentindo dor - perdoe. Foi bom pra mim perceber que nada é tão difícil assim, que nada é tão impossível. Se a gente pode ter uma tarde como essas, a gente pode um dia olhar um pro outro e simplesmente se entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que você acha isso difícil. Você disse hoje pra mim que sabia que eu me achava fácil, mas que não era bem por aí. Você disse também que mulheres são como as estrelas, a gente não tem que tentar entender, só precisa amar. Fiquei tão abobada quando ouvi isso. Uma das primeiras vezes indiretas que eu ouvi um eu te amo seu. Pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você concordou que eu sou fácil de agradar, porém. É claro que você concordou, você sabe me agradar, você sabe qu eu preciso de pouco. Preciso só que as rugas se desfaçam, que o olhar duro vá embora, que o seu falar não pareça mais me exigir que eu preencha uma ausência que eu não sou capaz de preencher. Se tiver isso, eu posso ir com você pra onde você quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você sabe disso também, eu sei. Eu também sei que você sabe que eu te amo, que eu te amo muito mesmo e que eu não falo isso porque eu não sei como você olharia pra mim. Tenho tanto medo e você nem imagina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada pela tarde de hoje, pelo sorriso descomprometido, pela caminhada de vinte minutos. A minha casa nunca pareceu tão perto daquele lugar, foi tão rápido. Obrigada por transformar uma caminhada longa e cansativa em meros dois minutos. Obrigada por, muito de vez em quando, deixar a minha vida mais colorida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tenta fazer isso mais vezes. Eu dependo tanto de você. E você nem imagina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tua,&lt;br /&gt;N.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17321430-113790987744796116?l=cartasparaplutao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/feeds/113790987744796116/comments/default' title='Kommentare zum Post'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17321430&amp;postID=113790987744796116' title='0 Kommentare'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/113790987744796116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/113790987744796116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/2006/01/para-chegar-mais-perto.html' title='para chegar mais perto'/><author><name>fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17321430.post-113790919411847113</id><published>2006-01-21T21:51:00.000-08:00</published><updated>2006-01-21T21:54:53.760-08:00</updated><title type='text'>para ele, que tá longe sempre</title><content type='html'>C.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;presta atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem aqui. Não, aí não. Aqui. Vem aqui, senta do meu lado uma única vez e escuta. Escuta, vai.&lt;br /&gt;Não não, não vou falar que a culpa é sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa é minha. Fui eu que parei de acreditar nas coisas reais, no amor real, no tangível, no que eu vivi. Eu parei de acreditar em tudo isso pra gostar (mais ainda) do platônico, do impossível, do que não tem jeito mesmo, do que não presta pra mim. Mas eu insisto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. A culpa não é sua de não gostar de mim. De não se interessar por mim. De me achar bobo e óbvio. Mongo. A culpa é minha de ligar pro que você pensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas escuta só uma coisa- você não sabe a chance que você tá perdendo. Eu sou um cara legal, sabia. Eu gosto de coisas legais, eu já li livros de gente legal, eu ouço bandas legais, eu tenho amigos legais, eu vou a lugares legais, eu compro roupas legais. Em suma, eu sou legal pra caralho. Eu acho até que eu sou o cara mais legal que você já conheceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você aí, olhando pro lado, fingindo que não me vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou brilhante. Eu não consigo resolver problemas difíceis de Física, nunca entendi as leis de Keppler, nunca fui além de algumas ligações do carbono na Química e nem sei bem se ainda sei contar. Faz tanto tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu podia mesmo consertar tua vida dessa vez. Podia fazer você perceber que não é tão ruim assim ser gay. Que não dói tanto assim arrancar essa carapuça de gente forte, de gente acima de tudo e ir viver. Eu podia mesmo te contar que você é lindo do jeito que é, que não importa o que te disseram na infância, que eu gosto do seu cabelo bagunçado, que você não precisa se afastar do mundo pra ser feliz. Eu podia tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas você não deixa nada. Nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que enchi o saco,&lt;br /&gt;G.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Ou quase isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17321430-113790919411847113?l=cartasparaplutao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/feeds/113790919411847113/comments/default' title='Kommentare zum Post'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17321430&amp;postID=113790919411847113' title='0 Kommentare'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/113790919411847113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/113790919411847113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/2006/01/para-ele-que-t-longe-sempre.html' title='para ele, que tá longe sempre'/><author><name>fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17321430.post-113604885033959662</id><published>2005-12-31T08:52:00.000-08:00</published><updated>2005-12-31T09:07:32.786-08:00</updated><title type='text'>para o ano velho</title><content type='html'>2005,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;obrigada por ser um ano bom pra mim. Obrigada por ter me feito crescer exponencialmente do seu segundo semestre até o seu dezembro, mas obrigada também por me permitir a babaquice generalizada do início. Eu precisava disso, acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tem muito pra fazer por aí, viu. Eu sei que só tem mais algumas horinhas da sua existência, eu sei que você não pode fazer mais muita coisa, mas avisa aí pro seu querido primo 2006 que a coisa tá uma merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pede pra ele jogar um pouco de inteligência na cabecinha das pessoas, vai. Não custa nada. E ele pode aproveitar hoje, lá pra meia noite, a praia de Copacabana, por exemplo, vai estar lotada de gente implorando por neurônios a mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomara que os negros tenham mais coragem em 2006. E que as mulheres parem de se submeter às maiores humilhações só pra ter um homem do lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê se 2006 não fode com o Lula, tá. Você já assistiu sacanagem o suficiente, não precisa perpetuar, né. A gente corta o mal pela raiz, não é o que dizem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, obrigada por ser bonzinho comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho boas lembranças,&lt;br /&gt;Fernanda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17321430-113604885033959662?l=cartasparaplutao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/feeds/113604885033959662/comments/default' title='Kommentare zum Post'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17321430&amp;postID=113604885033959662' title='0 Kommentare'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/113604885033959662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/113604885033959662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/2005/12/para-o-ano-velho.html' title='para o ano velho'/><author><name>fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17321430.post-113086752827411107</id><published>2005-11-01T09:50:00.000-08:00</published><updated>2005-11-01T13:50:03.353-08:00</updated><title type='text'>pra você gostar de mim</title><content type='html'>Quando foi que você decidiu que não ia me amar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fico pensando nisso às vezes, fico querendo entender quando foi que você optou por isso, quando foi que eu fiz qualquer coisa que despertou essa necessidade de não gostar de mim dentro de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu cheguei as coisas começaram a dar errado? Eu não sei dizer, ninguém nunca me contou de verdade o que aconteceu, como foi, o que tinha no seu rosto quando você me viu pela primeira vez. Eu não consigo me lembrar. Eu sei que você voltou. E eu sei também que dizem que foi por minha causa, mas foi mesmo? Você queria voltar? Eu acho que não. Você gostou do meu rosto? Gostou de ver que eu tinha coisas suas também?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu fico aqui tentando achar qualquer coisa que eu já tenha feito que tenha te machucado, qualquer palavra que eu tenha dito, qualquer gesto brusco, qualquer tapa mais forte, fico tentando achar um pedaço (mínimo que seja) de culpa minha, para ver se eu conserto o meu erro e se você volta a gostar de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior sufocamento é não ter certeza se isso já existiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essa minha vontade só vem vezenquando, só vem quando eu olho pros seus olhos e encontro essa tristeza em formato de pedra que você não deixa ninguém quebrar. A minha vontade de achar uma culpa minha só surge quando eu olho pra você e enxergo tudo o que eu não deveria enxergar, quando eu percebo que está tudo ao contrário, que não deveria ser assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tento ignorar essas verdades, durante a maior parte dos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que, à noite, fica tudo mais difícil, fica tudo mais vazio, o silêncio empurra as dores pra superfície, todos os seus nãos doem mais e eu volto a me perguntar: quando foi que você decidiu que não ia me amar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Responde, vai. Deixa eu saber o exato momento em que minha vida começou a parecer essa nuvem carregada de uma chuva que nunca vai cair, me dá ao menos esse direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vai te custar nada,&lt;br /&gt;F.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17321430-113086752827411107?l=cartasparaplutao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/feeds/113086752827411107/comments/default' title='Kommentare zum Post'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17321430&amp;postID=113086752827411107' title='0 Kommentare'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/113086752827411107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/113086752827411107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/2005/11/pra-voc-gostar-de-mim.html' title='pra você gostar de mim'/><author><name>fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17321430.post-112959382803724533</id><published>2005-10-17T17:01:00.000-07:00</published><updated>2005-10-17T18:39:15.196-07:00</updated><title type='text'>para mudar o lugar das grades</title><content type='html'>Querida D.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;outro dia eu recebi um email que me fez pensar em você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um desses emails com as letrinhas FW na parte destinada ao assunto e eu sempre desconfio desse tipo de email, eles funcionam como vendedoras de loja pra mim, sabe - eu tendo a não gostar antes. Mas eu resolvi abrir porque depois de FW vinha a seguinte inscrição "gigante da -insira aqui o nome de um país nórdico-" e eu fiquei pensando se seria mesmo um gigante ou só uma pessoa de dois metros e pouco e tal, abri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri o email, li a história do gigante (ele não pára de crescer porque fez alguma cirurgia na cabeça que afetou a glândula do crescimento), li que ele tinha dois metros e cinqüenta e três centímetros (se a minha memória não falha) e fiquei sabendo das dificuldades que ele tinha, tava tudo ali, escrito. E pensei: ha, deve ser legal ter dois metros e cinqüenta e três, ninguém te amedronta, o tapa de uma pessoa de um e setenta não dói, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que aí, no fim do email, havia algumas fotos dele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma delas mostrava ele com a mãe e eu não pude não me chocar: ele era MUITO maior do que ela, assim - MUITO mesmo. E deve ser bastante estranho você ter quase um metro a mais do que a sua mãe, sabe, porque mães protegem e tal, mães mínimas ficam meio incapazes, eu acho;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;outra mostrava-o tentando mexer em um celular e eu realmente fiquei olhando horas pra foto, porque um celular comum era do tamanho do dedo indicador dele - ou até um pouco menor. E, poxa, não estou sendo idiota de graça, não, é que deve ser bem difícil não conseguir discar um número no telefone;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a outra foto era o gigante do lado de um cavalo e -te juro- parecia um pônei, cara, inacreditável, te digo, parecia um pônei filhote, eu acho. (Existe isso ou pônei já é filhote? Não sei bem.) Na verdade, eu acabei lembrando das suas bonecas, porque parecia aquele cavalo de brinquedo que você tinha. Já pensou ficar do lado de um cavalo de verdade como se fosse um cavalo de mentira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, a essa hora, você deve estar pensando por que raios eu estou te escrevendo pra te contar isso, não está? Faz mais de três anos que a gente não se fala, eu não sei mais se você ainda está morando nesse lugar ou se você já foi morar na Lapônia, já foi procurar o papai Noel como você prometeu pra mim que ia. Mas eu tive que te escrever ainda assim, mesmo não sabendo se essa carta vai mesmo chegar até você, porque, sabe, eu meio que entendi a sua condição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, D., eu não acho mesmo que você é gigante, não é isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só que, acredita em mim, o mundo não está preparado para receber as pessoas que são mais. De verdade, não está, ainda que essa grandeza se traduza concretamente na altura, o mundo não está preparado, não há nada pronto para pessoas assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não há nada pronto pra você, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque você é tão maior que tudo isso, D., você é tão mais do que todas as outras pessoas, o seu coração é tão maior do que uma casa, que, sabe, as pessoas não sabem como reagir. Da mesma forma que aquele gigante não pode andar de carro, não pode entrar num ônibus, não pode usar as roupas que vendem nas lojas comuns, eles também te proíbem de ficar aqui fora, eles te prendem aí e fingem que você é que tem problema e te dão remédios e prometem que você sairá daí assim que melhorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas você não vai melhorar, D., não há como você ficar melhor. O &lt;i&gt;melhorar&lt;/i&gt; pra eles significa ficar igual a todos, fazer as mesmas coisas. Então, por favor, não melhore! Eu lhe imploro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, D., eu ainda não criei coragem para te tirar daí, eu ainda não comprei as nossas passagens para a Lapônia e eu ainda não sei como eu posso te deixar feliz - eu não tenho mais coragem de ir te ver. Mas eu quero arrumar um jeito, de verdade, eu quero passar aí um dia desses e te levar pra Lapônia e brincar na neve contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe, quando eu criar coragem para ir te buscar, de te tirar desse branco repressor, a gente não aproveita e passa na casa desse moço muito grande e explica que a culpa não é dele, mas sim do resto do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda estou aqui fora,&lt;br /&gt;T.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17321430-112959382803724533?l=cartasparaplutao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/feeds/112959382803724533/comments/default' title='Kommentare zum Post'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17321430&amp;postID=112959382803724533' title='0 Kommentare'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/112959382803724533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/112959382803724533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/2005/10/para-mudar-o-lugar-das-grades.html' title='para mudar o lugar das grades'/><author><name>fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17321430.post-112913874666533688</id><published>2005-10-12T10:36:00.000-07:00</published><updated>2005-10-12T10:40:11.570-07:00</updated><title type='text'>para carinho</title><content type='html'>Você faz coisas que me machucam, mas acho que nem percebe. E eu costumo não saber o que fazer, porque eu não sei se eu deveria te mostrar que me machucou, pra ver se da próxima vez isso não acontece, ou não falar nada - se a gente fingir que não aconteceu, a coisa não desacontece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não sei o que me machuca mais: o que você fez que me machucou ou o fato de você não perceber que saiu sangue aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu faço o quê, então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria é ferida antiga, é coisa pequena e boba, mas que acumula e acumula e dói quando uma nova surge. Dói porque as outras não fecharam direito, você não me ofereceu mercúrio, você não perguntou se tinha melhorado - você nem viu que eu caí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu caio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não te conto isso, porque agora eu sou grande já, eu não deveria cair, eu deveria agüentar tudo, ficar de pé sempre, levantar sozinha de manhã e conseguir sorrir, fazer meu café sozinha, olhar a paisagem e ficar feliz. Eu não deveria cair, não deveria deixar que coisas tão poucas me machucassem, mas machucam. E doem, viu. Dor física, às vezes, de ter aperto no coração e ficar enjoada e tomar remédio para melhorar. Eu não gosto de tomar remédio, eu não gosto de sentir isso, me sinto boba e injusta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que isso é porque hoje é dia das crianças e eu gostava de ser criança, de cair sempre no mesmo lugar da ladeira, de cultivar cicatrizes nos joelhos e de receber cuidados. Acho que me deu saudade de ter mão me ajudando a levantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu levanto. Hoje, amanhã ou depois. E sozinha, prometo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tua culpa,&lt;br /&gt;F.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17321430-112913874666533688?l=cartasparaplutao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/feeds/112913874666533688/comments/default' title='Kommentare zum Post'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17321430&amp;postID=112913874666533688' title='0 Kommentare'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/112913874666533688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/112913874666533688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/2005/10/para-carinho.html' title='para carinho'/><author><name>fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17321430.post-112895500476341700</id><published>2005-10-10T07:30:00.000-07:00</published><updated>2005-10-10T07:36:44.766-07:00</updated><title type='text'>para uma flor murcha</title><content type='html'>Ei,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu gostei de você. Assim, muito. Acho importante reforçar essa idéia, agora que só restam migalhas de sentimentos podres, acho importante dizer que amei sim, que fui feliz, que houve sorrisos - e muitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só duvido da sua culpa, acho que foi culpa minha, eu que sorri, os dentes mostrados foram os meus, a alegria era minha, eu que senti tudo de bom que tinha pra sentir, não foi? Foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor, não. A dor foi você quem me deu quando saiu porta afora, quando disse que não conseguia mais me agüentar, que a minha alegria te fazia mal, que eu vivia numa bolha e que eu precisava crescer. A dor foi você quem fez nascer quando disse que eu tinha que crescer logo, deixar de ser esse menino pouco, esse menino sem jeito de homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu que pensei que você gostava exatamente disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, não quero passar por tudo isso de novo, já te disse várias e várias coisas, já abri e fechei e abri de novo várias feridas dentro de você, não quero repetir o meu erro e nem posso. Só queria mesmo reforçar a idéia de que eu te amei muito. E que, ainda que tudo isso eu tenha feito sozinho, eu quis te dar coisas boas, te fazer mostrar os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpa se eu não fui homem suficiente para pular o seu muro de lamentações e te mostrar o mundo lindo que tem aqui fora. Desculpa por ser irremediavelmente um menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda teu (de alguma forma),&lt;br /&gt;João.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17321430-112895500476341700?l=cartasparaplutao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/feeds/112895500476341700/comments/default' title='Kommentare zum Post'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17321430&amp;postID=112895500476341700' title='0 Kommentare'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/112895500476341700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/112895500476341700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/2005/10/para-uma-flor-murcha.html' title='para uma flor murcha'/><author><name>fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17321430.post-112817879620220503</id><published>2005-10-01T07:37:00.000-07:00</published><updated>2005-10-01T07:59:56.206-07:00</updated><title type='text'>para melhores amigas</title><content type='html'>Pequenas A. e B.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sim, pequenas pequenas pequenas, eu sei, eu sou mais nova, mas isso não faz muita diferença, eu tenho essa coisa prepotente de quase toda caçula, de não suportar a pequenice e ficar enxergando as mais velhas como menores, como crianças indefesas, aquelas coisas, vocês já me conhecem, não preciso explicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre tenho vontade de escrever pra vocês, sempre tenho vontade de dizer coisas pra vocês que a gente nunca diz nos hiatos da rotina, porque precisamos dormir e tomar banho e comer e namorar e ler e pensar em outras coisas, porque precisamos distrair a cabeça de um mundo que nos acolheu, mas que mostra espinhos toda hora. Tenho vontade de escrever porque as palavras aparecem no meu estômago e incomodam até sair, porque sempre dizem que a gente tem que dizer o quanto gosta pras pessoas porque elas podem ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi, pensando nisso, que eu decidi escrever pras duas, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês não podem ir embora, vocês nunca vão embora, vocês são o verbo estar em qualquer tempo verbal. É tão bom ter a certeza de que vocês estarão perto de mim sempre, de que tudo o que eu olhar terá um pouco do azul dos olhos de vocês, de que mesmo indo morar em outro lugar, mesmo não dividindo mais a respiração calma do sono no mesmo lugar, vocês estarão por perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradecer seria pouco. Como se agradece por uma vida inteira calma? Como agradecer cada noite de tranqüilidade, cada abraço, cada mordida na mão, cada beijo na testa, cada segurada na mão na hora de descer do ônibus do colégio? Como agradecer o amor infinito, o olhar calmo e resistente quando o meu estava molhado, a voz de saudade verdadeira no telefone? Pode dizer um simples obrigada para tanta coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por me darem orgulho todo dia, por sorrirem sinceramente, por brigarem comigo, por cuidarem de mim sem nem perceber que estão cuidando, por aceitarem que eu não aceito ser tida como a única que precisa de cuidados, por fingirem tão bem que concordam comigo e por pedirem ajuda sempre que precisam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, lá naquele lugar novo que eu freqüento, me perguntaram se eu já sabia o que eu seria quando crescecesse. Eu não respondi a verdade, mas a verdade é que eu já sei o que eu sou e o que eu serei quando crescer e o que eu nunca deixarei de ser, acima de todas as coisas que eu posso me tornar ou deixar de ser: irmã menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com carinho infinito,&lt;br /&gt;N.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17321430-112817879620220503?l=cartasparaplutao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/feeds/112817879620220503/comments/default' title='Kommentare zum Post'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17321430&amp;postID=112817879620220503' title='0 Kommentare'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/112817879620220503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/112817879620220503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/2005/10/para-melhores-amigas.html' title='para melhores amigas'/><author><name>fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17321430.post-112812577188969108</id><published>2005-09-30T17:02:00.000-07:00</published><updated>2005-10-01T07:34:28.446-07:00</updated><title type='text'>para um doutor</title><content type='html'>Querido A.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acho que você nem imagina quanto eu sinto a sua falta. Ou talvez imagine sim, você sempre imaginou tudo muito bem de mim, não seria diferente agora. Ou será que seria? Tenho tanto medo de ter sido esquecida, assumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo hoje porque hoje passei em frente à sua casa e pensei em saltar do ônbius, dizer oi, pedir para interfonar, comprar bombons meio velhos naquela padaria e deixar para você, perguntar como está tudo, sonhar com uma resposta pouco vaga pela primeira vez. Pensei em fazer várias coisas diferentes, tirei o meu celular do bolso, cliquei no seu nome, mas não tive coragem, achei que você poderia estar ocupado, que não ia querer falar comigo numa sexta-feira boba de fim de mês. Não liguei e não saltei, segui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, sigo, em todos os sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantas coisas aconteceram e eu não pude contar. Não pude ou não quis, talvez, tive medo, confesso. Não falarei delas por essa carta também, não teria o menor sentido (e eu estou tentando fazer algum, ultimamente), mas sei que você questionaria a minha capacidade de esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As minhas feridas cicatrizam rápido, o que eu posso fazer? Não é porque eu não sofro o suficiente, não é porque eu fujo delas, você sabe disso, elas simplesmente fecham. Umas, claro, deixam uma marca profunda, algumas deixam cicatrizes no rosto, para que eu me lembre delas todo dia, antes de ver o sol, mas, de qualquer forma, estão fechadas. Atualmente, todas. Não adianta eu continuar colocando band-aid se não há mais o que curar. Você estaria sorrindo agora, se eu estivesse na sua frente, com uma cara de quem não está acreditando em mim, provavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu também não acredito no amor que você quis me ensinar, não acredito no amor dos outros, talvez eu não saiba mesmo recepcioná-lo, não adianta, não desce. Acredito no meu, porém. Serve?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero que você fique orgulhoso por duas coisas: tenho dado o devido valor às pessoas e cortei o mal pela raiz. Acho que são dois crescimentos, são duas atitudes diferentes das que eu tinha quando entrei na sua sala pela primeira vez - e, vai, isso já é alguma coisa. Agora eu não falo mais quando não há o que dizer, agora eu me calo e observo, como eu sempre gostei de fazer, não me sinto mais obrigada a corresponder às expectativas alheias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto falta das orquídeas, do sofá confortável, da minha mochila do meu lado esquerdo, do seu olhar carinhoso sempre, da sua paciência infinita, da foto já antiga da janela com flores e das risadas gostosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia eu volto, prometo.&lt;br /&gt;Sua,&lt;br /&gt;F.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17321430-112812577188969108?l=cartasparaplutao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/feeds/112812577188969108/comments/default' title='Kommentare zum Post'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17321430&amp;postID=112812577188969108' title='0 Kommentare'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/112812577188969108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17321430/posts/default/112812577188969108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasparaplutao.blogspot.com/2005/09/para-um-doutor.html' title='para um doutor'/><author><name>fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
